Diocese de Novo Hamburgo

O Cristo da divina misericórdia

Dom Zeno Hastenteufel

Bem compreendida a mensagem da páscoa, vamos entender a linguagem de nossa Igreja, que agora celebra uma série de domingos de páscoa: “Segundo domingo de páscoa, depois terceiro domingo, etc”. Cada domingo celebra de novo a ressurreição do Senhor.

O segundo domingo de páscoa traz como mensagem central o encontro do Cristo res-suscitado com o incrédulo Tomé. Na verdade, este Tomé colocou uma dúvida que todos nós já tivemos alguma vez na vida. Ele queria ver para crer.

Mas, como o Evangelho de João coloca tão claramente que “Oito dias depois, encon-travam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fe-chadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco. Depois disse a Tomé: Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas mais incrédulo, mas homem de fé” (Jo 20,26-27).

Tomé caiu por terra e exclamou: “Meu Senhor e meu Deus”! Trata-se de uma clara demonstração de fé. É uma verdadeira oração. Para todos os apóstolos estava claro que tam-bém o Tomé tinha entendido que Ele está vivo, ressuscitado.

Os apóstolos estavam reunidos no mesmo lugar, precisamente oito dias depois, mais uma vez na primeira feira. Até parece que os apóstolos estavam celebrando os oito dias da ressurreição e o Cristo ressuscitado aparece, precisamente neste dia, para que não houvesse mais dúvida entre eles, porque desta vez o próprio Tomé estava lá.

Por fim, Jesus disse ainda a Tomé: “Acreditaste porque me viste? Felizes os que creem sem terem visto!” (Jo 20,29). Ali nós todos estávamos incluídos. Nós cremos sem ter visto ou sem termos tocado no Senhor vivo e ressuscitado.

São João Paulo II viu neste episódio da incredulidade e do imediato perdão a expres-são clara da divina misericórdia do Senhor. Não é mais a misericórdia do homem Jesus, de antes da cruz. Trata-se agora de um encontro real do Tomé com o Cristo ressuscitado, um encontro com Deus. É um encontro em que acontece o perdão, um perdão total, uma miseri-córdia plena. Este Cristo ressuscitado é a misericórdia em pessoa.

É por isso, que o Papa João Paulo II chamava este segundo domingo de páscoa como o “domingo da divina misericórdia”.