Diocese de Novo Hamburgo

A importância da Sinodalidade na Igreja

- Padre Fábio Luís Galle | Pascom NH

 

No dia 29 de março, os padres da Diocese de Novo Hamburgo, realizaram seu encontro de formação no Auditório do Centro de Pastoral da Paróquia São Miguel, no Munícipio de Dois Irmãos. O tema abordado foi “Sinodalidade e a perspectiva pastoral do Sínodo dos Bispos 2023”. O assessor do encontro foi o Padre Rafael Martins Fernandes. Ele é da Arquidiocese de Porto Alegre.  Orientador espiritual no Seminário Maior da Arquidiocese de Porto Alegre e professor colaborador de Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Na oportunidade, o Padre Rafael concedeu uma entrevista ao jornalista da Pascom de NH – padre Fabio Luis Galle, falando sobre a importância da Sinodalidade na Igreja.

 

 

 Padre Fábio (Pascom NH):  O que significa sinodalidade?

  Padre Rafael: A palavra “sinodalidade” é recente, derivada do antigo termo “sínodo”, de veneranda memória na Tradição da Igreja. Essa palavra foi criada para designar o modo específico de ser e de agir da Igreja de Jesus Cristo. Significa o ato de caminhar juntos, em comunhão. Mais do que um estilo pastoral, sinodalidade aponta para a essência da Igreja. O Papa Francisco tem utilizado essa palavra para apresentar a sua proposta de renovação eclesial. Ele propõe, com a sinodalidade, o fortalecimento dos laços de proximidade entre os bispos, presbíteros, consagrados e fiéis leigos, bem como a aproximação da Igreja perante as diferentes realidades da sociedade, sobretudo, das periferias. Quem conduz a caminhada conjunta é o Espírito Santo. O final deste percurso é o Reino dos Céus.

 

  Padre Fábio (Pascom NH):  Qual é o bem que a sinodalidade faz para a Igreja?

  Padre Rafael: A ênfase no caminho sinodal propicia aos fiéis uma consciência mais aguda da ação do Espírito Santo em todos os membros da comunidade eclesial. Os resultados colhidos deste renovado estado de consciência são: a) a conversão pastoral das lideranças eclesiais para a escuta empática do que todos os fiéis têm a dizer, especialmente aqueles que se encontram afastados; b) o maior engajamento de cada batizado na construção das decisões pastorais e na ação evangelizadora. Numa linguagem teológica, isso significa a valorização do “senso dos fiéis” para a construção da comunidade de fé. De fato, o Espírito Santo age em todo o povo de Deus, suscitando diferentes carismas. Os carismas da unidade e do discernimento final pertencem ao bispo, coadjuvado pelos presbíteros. Os demais carismas, também destinados à construção da comunidade, são distribuídos largamente entre os cristãos. Assim, todos têm o seu espaço garantido na Igreja e todos têm o direito de ser escutados. Quando se faz sentir essa harmônica cooperação na missão eclesial, tem-se uma autêntica experiência de sinodalidade. Os frutos dessa cooperação podem ser vistos na renovação das comunidades de fé.

 

  Padre Fábio (Pascom NH):  Como podemos trabalhar a sinodalidade nas comunidades?

  Padre Rafael: Em primeiro lugar, é fundamental valorizar os conselhos pastorais e econômicos das comunidades eclesiais. São órgãos de escuta e de comunhão com a finalidade de colaborar na missão pastoral dos bispos e presbíteros, bem como auxiliar na missão evangelizadora dos fiéis leigos/as e consagrados/as. Em segundo lugar, destaco as contribuições do Sínodo que está sendo promovido pelo Papa Francisco sobre a sinodalidade (2021-2023). O objetivo deste sínodo é fomentar a cultura da proximidade, capaz de criar espaços de interação diferenciados, estimulando a escuta daqueles que participam ocasionalmente das missas, bem como de quem se encontra afastado da comunidade. Vale a pena também sublinhar a nova metodologia proposta para as reuniões de consulta sinodal nas comunidades. Essa metodologia está fundamentada na antiga tradição eclesial sobre o “discernimento dos espíritos”: começa-se com a invocação do Espírito Santo e a escuta da Palavra de Deus; em seguida, propõem-se uma questão relevante para a comunidade e concede-se o uso da palavra para todos os participantes; há um tempo de silêncio para que cada um perceba o que o Espírito Santo está querendo dizer a partir das experiências partilhadas. Segue-se um novo momento de partilha, desta vez para expressar as moções que o Espírito suscitou, bem como para discernir quais foram os pontos de consenso entre os participantes. Com a ajuda de alguém experiente, essa metodologia ajudará as comunidades a descobrir qual é a vontade de Deus diante de questões inquietantes. E o mais importante: dispor a todos para acolher e querer cumprir em suas vidas a vontade divina discernida em conjunto.